Temas Transversais e o ensino de
Educação Ambiental.
INTRODUÇÃO
Segundo Braga:
Os Novos Parâmetros Curriculares Nacionais
propõem o trabalho com o meio ambiente de forma transversal. Os temas
transversais são considerados como o eixo norteador, isto é, aparecem em todas
as matérias, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações
didáticas de cada área no decorrer de toda a escolaridade obrigatória.
Pretende-se, então, que esses temas integrem as áreas convencionais de forma a
estarem presentes em todas elas, relacionando-as às questões da atualidade.
(BRAGA, 2010, p.25)
Segundo Belgrado:
“Meta da Educação Ambiental:
Desenvolver uma população mundial que esteja consciente e
preocupada com o meio
ambiente e com os problemas que lhe são associados, e que tenha conhecimento, habilidade,
atitude, motivação e compromisso para trabalhar individual e coletivamente na busca
de soluções para os problemas existentes e para a prevenção de novos”.
ambiente e com os problemas que lhe são associados, e que tenha conhecimento, habilidade,
atitude, motivação e compromisso para trabalhar individual e coletivamente na busca
de soluções para os problemas existentes e para a prevenção de novos”.
Com
base na Política Nacional de Educação Ambiental (1999), em seu artigo 3º, com a
citação de que todos têm direito à educação ambiental, e inciso III, que às
instituições educativas devem promover a educação ambiental de maneira
integrada aos programas educacionais que desenvolvem. Na maioria das escolas o
tema Educação Ambiental não é trabalhado de forma efetiva, ou às vezes passam
despercebidos entre os alunos e professores. Para que ocorra maior interação e
participação de todos, a Educação Ambiental e os diversos temas transversais
devem ser entendidos como integrantes de todas as disciplinas de uma escola. E
que ajudem na conscientização e no direcionamento para investir em uma
aprendizagem significativa e participativa (FRADE; POZZA; BORÉM, 2010).
Na prática da Educação Ambiental deve haver uma reflexão dos professores para o
desenvolvimento da transversalidade de conteúdos que contribua para o
aprendizado dos alunos, com o objetivo de formar tomadores de decisão e
multiplicadores de uma nova cultura de responsabilidade ambiental.
APRESENTAÇÃO
COMENTADA DAS EXPERIÊNCIAS
Acredito
que os projetos ligados à Educação Ambiental para que funcionem, precisam ter
atividades práticas. Não adianta mostrar um filme sobre queimadas na Floresta
Amazônica enquanto na própria cidade acontece queimadas e não são tomadas
providências.
Um
projeto precisa ter a parte teórica, mas a parte prática deve ser fundamental.
Citarei experiências de temática ambiental, através de algumas
propostas práticas, que podem ser abordadas de forma transversal no cotidiano
escolar.
Atividade
1 – Essa proposta tem como objetivo
identificar se os sujeitos da comunidade escolar já fizerem ou fazem ações em
prol do meio ambiente e da sustentabilidade. Na verdade, essa atividade foi
desenvolvida em uma indústria que trabalhei, pesquisamos quais funcionários
“praticavam ações sustentáveis junto à família e a comunidade”. Em seguida montamos
painéis com os resultados obtidos para conhecimento dos outros funcionários.
Surpreendemo-nos com a história de um funcionário que já havia plantado, por
inciativa própria, várias árvores na cidade, inclusive no entorno de um
hospital que as pessoas tinham que esperar no sol para serem atendidas, ele nos
disse que se incomodava muito com isso. Os outros funcionários chegaram a ficar
“encantados” com tal atitude, que praticamente ninguém conhecia, e de certo
modo, foram sensibilizados e incentivados a também adotarem novas práticas em
relação a questão socioambiental.
Acredito
que tal ideia possa ser aplicada ao cotidiano escolar de maneira transversal:
-
Nas disciplinas da área de humanas poderá ser elaborado o questionário que será
aplicado nas pesquisas, e elaboração de textos comentados sobre os resultados,
por exemplo, o que os “pesquisadores” esperavam, o que encontraram como
respostas e o que poderá ser feito futuramente. Toda a comunidade escolar deve
ser entrevistada, incluindo professores e família. É interessante que sejam
elaborados os cartazes para divulgação dos resultados. Sugere-se também a
discussão dentro do processo histórico (relatos de interação com o meio
ambiente através de gerações passadas – comunidades tradicionais, indígenas,
sitiantes, das quais os alunos possam ser descendentes) e geográfico (espaço e
território);
-
Nas disciplinas da área de exatas os alunos podem “quantificar” os dados, como
por exemplo: quantas pessoas foram entrevistadas, quantas fazem alguma ação,
agrupá-las, inserir tabelas e gráficos, e no caso do ensino médio, trabalhar
até mesmo com porcentagem e estatística.
-
Na área de ciências, os resultados obtidos podem ser discutidos, por exemplo,
se for informado que uma família faz compostagem, ou reutiliza água, é
interessante abordar com todos sobre a importância e abrangência dessas ações.
Considerando o exemplo acima, sugere-se que seja explicado como se faz a
compostagem, os processos envolvidos, a importância de não mandar resíduos
orgânicos para aterros e reaproveitá-los para adubar jardins, vasos, hortas.
Atividade
2 -
Diagnóstico de um espaço. Essa atividade foi desenvolvida tanto com jovens de
um projeto extracurricular e também com alunos de um curso técnico ambiental.
Inicialmente, em conjunto com os alunos foi elaborado “o roteiro de análise e
coleta de dados” para verificarmos um espaço do bairro – praça com lago e
alguns animais, e um pequeno zoológico da cidade. No roteiro foram desenvolvidas
várias questões, desde lixo jogado nas proximidades, arborização nas ruas,
coleta seletiva no local, animais existentes no zoológico, tipologia da
vegetação existente, comparação e realização de medidas de raízes e frutos,
flores; conservação dos brinquedos, bancos e lixeiras dos locais. Após essa
etapa, os alunos redigiram um relatório, proposta de melhorias no espaço e
apresentaram para as demais turmas da escola.
Desse
modo, como na atividade anterior, sugere-se que as várias disciplinas discutam
o assunto, até mesmo a disciplina de inglês, como neste exemplo: escrever carta
ou e-mail para um colega estrangeiro (verdadeiro ou imaginário) relatando sobre
a situação de determinada área verde / área de lazer do bairro que foi
estudada.
Assim
verifica-se um vasto campo de possibilidades; durante a pesquisa que realizei
na internet, encontrei um material (Manual Prático de Educação Ambiental –
2008) que tem sugestões de várias atividades da temática ambiental. As
atividades (ou ideias nelas contidas) podem ser adaptadas com o objetivo de
serem desenvolvidas em várias disciplinas. Os eixos propostos foram: água,
terra, ar, fogo e ecologia cidadã.
CONCLUSÃO
O estudo de forma transversal do meio ambiente e dos diversos temas que o
envolvem e são abordados na Educação Ambiental, pode ser uma rica ferramenta
para a elaboração de uma prática pedagógica que permita um processo de
aprendizagem que forme cidadãos conscientes e sensíveis em relação ao meio
ambiente como um todo e aos problemas a ele relacionados. O professor deve
sempre buscar alternativas, novas fontes de pesquisa e métodos para facilitar e
aprimorar as formas de ensino relacionas ao tema meio ambiente.
Atualmente,
pelo seu teor e vigor, a Educação Ambiental pode vir a ser um instrumento que
reforce e incentive a viabilidade da inserção das discussões ambientais no
âmbito da educação formal e popular. É com essa perspectiva, que ascende no
campo da educação, a EA crítica como um processo permanente, cotidiano e
coletivo pelo qual o sujeito reflete e age, almejando a transformação da
realidade socioambiental, com vistas à construção de sociedades sustentáveis.
(SILVA, COSTA & ALMEIDA 2012).
Desse
modo, para que o processo seja permanente e cotidiana no ambiente escolar, é
necessária a conscientização de toda comunidade escolar sobre a importância da
Educação Ambiental e a sua efetiva participação em “conjunto”. Que a teoria
seja realmente aplicada na prática, como sugestão, através de atividades
contínuas, interdisciplinares e transversais. Conforme citado nas experiências
comentadas, as possibilidades são múltiplas, ao longo do cotidiano poderá ser
avaliado as que mais se adéquam ao perfil de determinada comunidade escolar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Lei
nº 9795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a
Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Presidência
da República. Brasília, 1999.
MANUAL
PRÁTICO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Federação Nacional das Escolas Particulares. Rio
de Janeiro. Distribuição gratuita. Dezembro de 2008. Disponível em http://www.sineperio.educacao.ws/arquivos/Livro_Educacao_Ambiental.pdf.
SILVA, L. O.; Costa A. P. L.; ALMEIDA
E. A.; Educação Ambiental: O despertar de uma proposta crítica para a
formação do sujeito ecológico. HOLOS, Ano 28, Vol 1.
2012.
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