domingo, 10 de novembro de 2013

Temas Transversais e o ensino de Educação Ambiental.
INTRODUÇÃO



Segundo Braga:


Os Novos Parâmetros Curriculares Nacionais propõem o trabalho com o meio ambiente de forma transversal. Os temas transversais são considerados como o eixo norteador, isto é, aparecem em todas as matérias, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área no decorrer de toda a escolaridade obrigatória. Pretende-se, então, que esses temas integrem as áreas convencionais de forma a estarem presentes em todas elas, relacionando-as às questões da atualidade. (BRAGA, 2010, p.25)

    Segundo Belgrado:
“Meta da Educação Ambiental:


Desenvolver uma população mundial que esteja consciente e preocupada com o meio 
ambiente e com os problemas que lhe são  associados, e que tenha conhecimento, habilidade, 
atitude, motivação e compromisso para trabalhar individual e coletivamente na busca 
de soluções para os problemas existentes e para a prevenção de novos”.

Com base na Política Nacional de Educação Ambiental (1999), em seu artigo 3º, com a citação de que todos têm direito à educação ambiental, e inciso III, que às instituições educativas devem promover a educação ambiental de maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem. Na maioria das escolas o tema Educação Ambiental não é trabalhado de forma efetiva, ou às vezes passam despercebidos entre os alunos e professores. Para que ocorra maior interação e participação de todos, a Educação Ambiental e os diversos temas transversais devem ser entendidos como integrantes de todas as disciplinas de uma escola. E que ajudem na conscientização e no direcionamento para investir em uma aprendizagem significativa e participativa (FRADE; POZZA; BORÉM, 2010).
            Na prática da Educação Ambiental deve haver uma reflexão dos professores para o desenvolvimento da transversalidade de conteúdos que contribua para o aprendizado dos alunos, com o objetivo de formar tomadores de decisão e multiplicadores de uma nova cultura de responsabilidade ambiental.
APRESENTAÇÃO COMENTADA DAS EXPERIÊNCIAS
Acredito que os projetos ligados à Educação Ambiental para que funcionem, precisam ter atividades práticas. Não adianta mostrar um filme sobre queimadas na Floresta Amazônica enquanto na própria cidade acontece queimadas e não são tomadas providências.
Um projeto precisa ter a parte teórica, mas a parte prática deve ser fundamental. Citarei  experiências de temática ambiental, através de  algumas propostas práticas, que podem ser abordadas de forma transversal no cotidiano escolar.
Atividade 1Essa proposta tem como objetivo identificar se os sujeitos da comunidade escolar já fizerem ou fazem ações em prol do meio ambiente e da sustentabilidade. Na verdade, essa atividade foi desenvolvida em uma indústria que trabalhei, pesquisamos quais funcionários “praticavam ações sustentáveis junto à família e a comunidade”. Em seguida montamos painéis com os resultados obtidos para conhecimento dos outros funcionários. Surpreendemo-nos com a história de um funcionário que já havia plantado, por inciativa própria, várias árvores na cidade, inclusive no entorno de um hospital que as pessoas tinham que esperar no sol para serem atendidas, ele nos disse que se incomodava muito com isso. Os outros funcionários chegaram a ficar “encantados” com tal atitude, que praticamente ninguém conhecia, e de certo modo, foram sensibilizados e incentivados a também adotarem novas práticas em relação a questão socioambiental. 
Acredito que tal ideia possa ser aplicada ao cotidiano escolar de maneira transversal:
- Nas disciplinas da área de humanas poderá ser elaborado o questionário que será aplicado nas pesquisas, e elaboração de textos comentados sobre os resultados, por exemplo, o que os “pesquisadores” esperavam, o que encontraram como respostas e o que poderá ser feito futuramente. Toda a comunidade escolar deve ser entrevistada, incluindo professores e família. É interessante que sejam elaborados os cartazes para divulgação dos resultados. Sugere-se também a discussão dentro do processo histórico (relatos de interação com o meio ambiente através de gerações passadas – comunidades tradicionais, indígenas, sitiantes, das quais os alunos possam ser descendentes) e geográfico (espaço e território);
- Nas disciplinas da área de exatas os alunos podem “quantificar” os dados, como por exemplo: quantas pessoas foram entrevistadas, quantas fazem alguma ação, agrupá-las, inserir tabelas e gráficos, e no caso do ensino médio, trabalhar até mesmo com porcentagem e estatística.
- Na área de ciências, os resultados obtidos podem ser discutidos, por exemplo, se for informado que uma família faz compostagem, ou reutiliza água, é interessante abordar com todos sobre a importância e abrangência dessas ações. Considerando o exemplo acima, sugere-se que seja explicado como se faz a compostagem, os processos envolvidos, a importância de não mandar resíduos orgânicos para aterros e reaproveitá-los para adubar jardins, vasos, hortas.
Atividade 2 - Diagnóstico de um espaço. Essa atividade foi desenvolvida tanto com jovens de um projeto extracurricular e também com alunos de um curso técnico ambiental. Inicialmente, em conjunto com os alunos foi elaborado “o roteiro de análise e coleta de dados” para verificarmos um espaço do bairro – praça com lago e alguns animais, e um pequeno zoológico da cidade. No roteiro foram desenvolvidas várias questões, desde lixo jogado nas proximidades, arborização nas ruas, coleta seletiva no local, animais existentes no zoológico, tipologia da vegetação existente, comparação e realização de medidas de raízes e frutos, flores; conservação dos brinquedos, bancos e lixeiras dos locais. Após essa etapa, os alunos redigiram um relatório, proposta de melhorias no espaço e apresentaram para as demais turmas da escola.
Desse modo, como na atividade anterior, sugere-se que as várias disciplinas discutam o assunto, até mesmo a disciplina de inglês, como neste exemplo: escrever carta ou e-mail para um colega estrangeiro (verdadeiro ou imaginário) relatando sobre a situação de determinada área verde / área de lazer do bairro que foi estudada.
Assim verifica-se um vasto campo de possibilidades; durante a pesquisa que realizei na internet, encontrei um material (Manual Prático de Educação Ambiental – 2008) que tem sugestões de várias atividades da temática ambiental. As atividades (ou ideias nelas contidas) podem ser adaptadas com o objetivo de serem desenvolvidas em várias disciplinas. Os eixos propostos foram: água, terra, ar, fogo e ecologia cidadã.
  CONCLUSÃO
            O estudo de forma transversal do meio ambiente e dos diversos temas que o envolvem e são abordados na Educação Ambiental, pode ser uma rica ferramenta para a elaboração de uma prática pedagógica que permita um processo de aprendizagem que forme cidadãos conscientes e sensíveis em relação ao meio ambiente como um todo e aos problemas a ele relacionados. O professor deve sempre buscar alternativas, novas fontes de pesquisa e métodos para facilitar e aprimorar as formas de ensino relacionas ao tema meio ambiente.
Atualmente, pelo seu teor e vigor, a Educação Ambiental pode vir a ser um instrumento que reforce e incentive a viabilidade da inserção das discussões ambientais no âmbito da educação formal e popular. É com essa perspectiva, que ascende no campo da educação, a EA crítica como um processo permanente, cotidiano e coletivo pelo qual o sujeito reflete e age, almejando a transformação da realidade socioambiental, com vistas à construção de sociedades sustentáveis. (SILVA, COSTA  & ALMEIDA  2012).
Desse modo, para que o processo seja permanente e cotidiana no ambiente escolar, é necessária a conscientização de toda comunidade escolar sobre a importância da Educação Ambiental e a sua efetiva participação em “conjunto”. Que a teoria seja realmente aplicada na prática, como sugestão, através de atividades contínuas, interdisciplinares e transversais. Conforme citado nas experiências comentadas, as possibilidades são múltiplas, ao longo do cotidiano poderá ser avaliado as que mais se adéquam ao perfil de determinada comunidade escolar.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

   Lei nº 9795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá         outras   providências. Presidência da República. Brasília, 1999.

   MANUAL PRÁTICO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Federação Nacional das Escolas Particulares. Rio de Janeiro. Distribuição gratuita. Dezembro de 2008. Disponível em http://www.sineperio.educacao.ws/arquivos/Livro_Educacao_Ambiental.pdf.

SILVA, L. O.; Costa A. P. L.; ALMEIDA E. A.; Educação Ambiental: O despertar de uma proposta crítica para a formação do sujeito ecológico. HOLOS, Ano 28, Vol 1. 2012.      
   
  http://escolamolinari.blogspot.com.br/ Acesso em 09 de Novembro de 2013.